quarta-feira, 4 de maio de 2011

Amor e Paixão



      Presidindo a qualquer debate, ou considerações, entre amor e paixão, é indispensável à conceitualização de cada palavra. Isso se faz necessário por quanto à compreensão que cada pessoa tem sobre ambos os vocábulos pode variar consideravelmente. Não obstante a ajuda ofertada pelos dicionários, cada ser interpreta conforme seu entendimento o que caracteriza a sensação do amor e o que significa a paixão, isso, na maioria das vezes, leva-nos a discussões estéreis na hora de tentar definir ambos os sentimentos.
Particularmente aqui, a temática abordada é, diante das múltiplas expressões do amor e da paixão, a sensação que um homem sente por uma mulher e vice - versa, ou seja, quando se está enamorado por alguém, estamos sentindo amor ou paixão?


Amor: “disposição dos afetos para querer ou fazer o bem a algo ou alguém”; “qualidade do que é suave ou delicado”.
Paixão: “perturbação ou movimento desordenado do ânimo”; “afeto violento”.

Dado o devido rumo a cada termo, resta-nos apenas exemplificar o que as definições acima já se encarregaram de esclarecer.


A paixão pode enganar muitas vezes... já o amor nunca se engana....! Isso acontece porque, como o próprio conceito esclarece, a paixão é violenta, muito forte mesmo, e pela força que em si encerra, quando a sentimos, julgamos “amar loucamente” uma pessoa, mas em verdade tudo não passa de algum interesse material ou ideológico, embora muitas vezes esse interesse possa ter origens espirituais. O amor, o amor verdadeiro, de uma pessoa para outra, é puro, sentisse-o prioritariamente na alma e não no corpo. É sempre uma afeição de espírito para espírito e somente traz o bem, é livre, despretensioso ao contrario da paixão que é marcada pelo apego e motivada por interesses...
É necessário ressaltar que a paixão em si não é ruim, apesar de ser um sentimento que possa raiar ao exagero, quando conduzido para o bem, é importante alavanca de sublimação dos instintos inferiores, sejam de homem ou de mulher, a expressar-se no febril devotamento que um tem pelo outro em favor do bem estar alheio: é quando na verdade gostamos de mais de uma pessoa - não é alma gêmea - e movidos por essa sensação fazemos de um tudo para que ela esteja sempre contente, nada a incomode e, ainda quando precisar de socorro, não nos importa do que tenhamos que abrir mão para acudir o ser “amado”, mas deixamos de lado nosso interesse para satisfazer a carência do outro.

O amor entre um casal pode ser somente fraterno, reconhecido pela existência de carinho, atenção, respeito e consideração mútuas. Onde gostamos de uma pessoa, não exatamente pelo amor arrebatador, aquele inerente desde o sempre do ser por outro ser, mas por uma estima que pode derivar de ser este um espírito afim a nós, desde outras eras, ou ainda ter sua causa na própria evolução de cada entidade, que na conquista de virtudes, em duros labores evolutivos, desenvolveram um sentimento de paz e progresso que abrange toda a coletividade.

O lado ruim da paixão é, quando esse sentimento exagerado, nos impulsiona a fazer tudo para o outro ou pelo outro, mesmo que esse tudo seja fazer o mal. E é o que comumente acontece nos casos de paixão, quando nós, ainda principiante nos sentimentos, pela falta de experiências que nos ajude a ter devidas limitações, acabamos por “matar por amor”, “enganar por amor”, em casos aparentemente mais brandos, fazemos simpatias e até procuramos feiticeiros para que nos ajude a conquistar a “pessoa amada”, deixamos em segundo plano nossos compromissos sociais, responsabilidades no trabalho, no lar, nos martirizamos, sofrendo por nós mesmo com a recusa ou impossibilidade de termos a pessoa por quem estamos interessados, tudo alegando ser por “amor”.

Desnecessário dizer as conseqüências desagradáveis que essas coisas podem acarretar, aonde vai desde uma apatia adquirida pelo individuo, passando por depressão, podendo chegar ao suicídio ou homicídio.

Outra face do amor, e essa sim, a que todos procuramos, mesmo que inconscientemente, é a que traz pleno contentamento do coração. - Na região do coração é onde se encontra um dos 7 Centros Vitais (Chakras), que todos nós possuímos. Denominado de centro cardíaco ele é responsável por dirigir a emotividade e a circulação das forças de base, daí é a relação que fazemos entre “sentir o amor no coração”-. É a chamada alma gêmea, que todos temos, cada qual a sua e, mesmo que não a encontremos na presente vida, guardamos a certeza de existir, pois já a encontramos em outras. - O espírito traz todas as experimentações de suas vidas passadas guardado no subconsciente -. É na verdade um amor intenso, recíproco, único e invariável, sentido na mesma intensidade um pelo outro, não sujeito a qualquer relação física, e faz vibrar todas as fibras mais intimas do corpo, - reflexo esse que se da pela natural preponderância que a alma tem sobre a matéria, onde, realmente, o aparelho físico não é seu princípio, mas sim um dos canais de exteriorização -, existente desde o sempre do ser e que jamais terá um fim e nunca, em momento nenhum da vida, se sentirá nada igual por outra pessoa.

Podemos nos apaixonar mais de uma vez e por várias pessoas, e achar que a amamos, esse sentimento quanto mais intenso, mais impreguinado se torna por energias que nos envolvem, criando como-se uma ilusão, que é sustentada por nossos próprios pensamentos, pelo magnetismo que colhemos do ambiente fluídico ao qual estamos imersos, e alimentado, também, pelas potências psíquicas da outra pessoa, quando ela se torna correspondente aos nossos interesses. Só que essas energias são fictícias, enquanto dura a causa dura-se o efeito. É como uma hipnose, uma vez quebrado o encantamento de uma das partes, se desperta para a realidade e acaba-se a paixão. Daí é que costumeiramente se ouve dizer, daquele que foi abandonado: “eu não vou mais gostar de ninguém, quando faço isso sempre quebro a cara”. Ao se portar assim, ele ainda, provavelmente, está envolvido por toda aquela corrente vibracional em que a paixão se reflete.

Isso acontece porque gostamos de uma pessoa não pelo quanto ela é boa, ou pelas virtudes de coração nobre que ela traz, mas, entre outros fatores, pela beleza física que ela tem, por dinheiro, por trazer-nos status, por conveniência social, por sermos almas carentes de afeto e ou por apego emocional.

Muitas vezes, a paixão que temos por um indivíduo, pode ser um arrastamento oriundo de outra encarnação, ou até mesmo de várias encarnações sucessivas, onde trazemos verdadeiro encantamento por aquele ser, uma forte devoção, que não sabemos distinguir a origem, apenas sentimos, e que pode ainda estender-se por séculos, tanto mais sejamos incipientes nos assuntos do coração.

Conclui-se assim que, enquanto o amor é próprio das almas mais elevadas, ou daquele coração que reconhece outro, de perfeito afinamento com o seu, a paixão é de natureza, quase em sua totalidade, primitiva, e por isso mesmo grosseira e quase sempre animalizada, na maioria dos casos, imersa no mar da vulgaridade, cujas profundezas levam ao nada, onde no caminho dessa viagem, rumo ao desconhecido, encontra-se muitos perigos.

Ainda para exemplificação, das diferenças entre amor e paixão, temos como base de reflexão, a música da cantora Rita Lee, letra do consagrado jornalista Arnaldo Jabor, embora o título possa ser “Amor e Sexo”, onde demonstra, de forma brilhante, o antagonismo entre uma coisa e outra, é de perfeita analogia ao tema aqui exposto.

“Amor que mágoas arrosta
Sofre tudo sempre amando
Paixão afirma que gosta
Só não se sabe até quando”.




Lucas

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