...todas as vezes que fizestes isto a um desses meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes!
Difícil conceber tal idéia, mas se já em tenro berço, as coisas se mostram tão duras, é porque o espírito é tão maior para suportá-las... Porque se assim não fosse, seria falso o dito de que “Deus não da a Cruz maior do que se possa carregar”. E disso, ainda, pode-se tirar outra conclusão: Se Deus é bom, como comumente se afirma, e te da uma cruz, ora, esse maderil pesado, também deve ser uma coisa boa. Mas, de livre e espontânea vontade, ninguém gostaria de carregar tal coisa. Eis que nos deparamos agora com uma incógnita: é bom ou não é bom? É justamente sobre isso que se debatem estudiosos, e se contradizem as religiões.
Aos queridos pequeninos, que são o futuro dessa nação, e porque não dizer, deste mundo, é que tentaremos aclarar tal questão, sobre as bases da lógica e da razão!
Retomemos o ponto de partida:
Deus, em sua infinita bondade e amor, patenteados não só pela Vida, que nos concebe a todo instante, mas também explicita em todas as suas demais criações, como a própria natureza, tão bela e rica... , nunca fecha as portas para os filhos pródigos, pródigos ontem, como o próprio termo afirma, mas que hoje, submetem-se a duras e justas reparações, onde o Pai, de extremada misericórdia, concede novas oportunidades para que seja feita as necessárias retificações, pelos filhinhos amados que outrora renegaram suas dádivas...
Assim sendo, criancinhas bem aventuradas, não chorem, ao contrário, regozijem-se! Continuem com esse sorriso encantador e angelical, que a nós adultos envergonha-nos, por vermos que seres, aparentemente tão indefesos, lutam com heroísmo diante de problemas bem maiores que os nossos, provenientes de nosso orgulho e vaidade que, quando contrariados, nos dilaceram dia a dia.
“Ontem – autor insensato,
Ganhando à custa do vício...
Hoje- doente sem tato,
“Vivendo com sacrifício.”
**Ontem, eu não dava muito valor à vida, vivia despreocupado, não cuidava bem do meu corpinho, que naquela altura do campeonato, provavelmente já havia se tornado um corpão, eu era um homem, ou uma mulher, podia ser belo, igualzinho aqueles das capas das revistas, ou famosa, como aquelas que são invejadas pelas outras. Sei também que já fui feia, horrível! Ai meu Deus! Isso não! Mas já fui sim! Como também fui preto, branco, amarelo, vermelho, morei aqui ou acolá, tive tudo e ao mesmo tempo nada. Não importava a situação, eu sempre fazia as coisas erradas, e não só fazia como ás vezes repetia os mesmos erros. Embora, periodicamente, meu anjinho da guarda viesse a me advertir dos excessos que eu cometia. Mas eu não dava muita bola pra ele não, como disse, vivia despreocupado, importava-se comigo apenas. Em raras ocasiões importava-me também com aqueles que eu gostava, mas os que não gostava, ah! Esses não tinham vez comigo, eu aqui eles lá, e que os “Diabos que os carreguem” se fosse preciso.
“Ontem – corsário afamado,
Matava sedento de ouro...
Hoje – menino enjeitado
A beira do ancoradouro”
Tive a minha prole. Minha família se constituía do outro companheiro e dos filinhos, que eu ajudei a gerar.
As responsabilidades do lar não me atraiam, ao contrário, enfadavam-me e atrapalhavam-me a vida.
Eram os filhos principiantes e a todo o momento reclamavam minha atenção aos seus primeiros embates na vida. Logo eu, que gostava tanto de “viver”, e sentir as emoções do mundo, via-me agora tolhido pela força do destino, e impossibilitado de dar azas as minhas aventuras... Não! Absolutamente não! Não seriam eles a atrapalhar os meus, já tão comuns, desregramentos. Deixarei tudo a cargo da outra pessoa que me ajudou a geri-los, afinal, eu nem ao menos quis tê-los, ela quis, que se virasse agora! Ficavam doentes, ora, não posso perder meu tão precioso tempo só para levá-los ao médico! Tinham febre alta, que Deus os ampare, pois não posso parar o que estou fazendo para resolver tão simples problemas! Necessitavam de braços fortes que os protegessem dos perigos da vida e os propiciassem amparo para desenvolverem seu intelecto e emoções com segurança, que se virem! Cada qual faz por si!
Dessa maneira deixei-os ao próprio destino e, como já era de se prever, foram feridos na alma e no corpo, pelas vicissitudes que enfrentaram sem amparo.
Tinham moléstias físicas que eu nem me dava ao capricho de ver, eram apalermados e desengonçados, sofrendo muito com simples problemas da vida... Quem se importa? Eu estou bem!
Ontem – mulher de ilusão
Mentiras e cabriolas...
Hoje – bendita prisão
De prantos e caçarolas.
Se não me importava com os filhos, comigo também não era diferente, alias, era sim, muito primava pelo meu bem estar, pelas aparências e meus caprichos, mas todos sujeitos aos meus vícios e desregramentos, que mal sabia eu me perderiam por completo. Ou melhor, sabia sim, sempre ouvia falar, que o fuma causa uma série de problemas no corpo, que a bebida em excesso é veneno, que as aventuras amorosas, isenta de cuidados preventivos, podem ofertar-nos muitas doenças, que a higiene e a atenção com o aparelho físico são indispensáveis para manterem a “máquina” funcionando com eficiência. Mas debalde, não levava isso a sério mesmo. – É o que muito comumente nos acontece: “Temos conhecimento... mas não consciência...
E assim eu ia vivendo, o tempo passando, as coisas acontecendo, mas eu não mudava, batia o pé e afirmava: é assim que devo ser!
Mas a minha insatisfação ia aumentando. Com o que, sinceramente não sei, mas ia...
Até que comecei a questionar. Cadê? Onde está? Como encontrar a plena satisfação e contentamento? E essa tal felicidade que eu ouvia falar? Onde fica? Como fazer para tê-la? Por que faço, faço e faço, mas vivo descontente? E, pela primeira vez, “fui picado pela chama ardente do remorso”.
Ontem – tirano na praça
Falava insincero em tudo...
Hoje – mendigo que passa,
Gaguejando, tartamudo.
Foi então que, novamente criança, e ineditamente, não só pude ouvir, em alto e bom som, mas como também pude ver, o Anjo, aquele mesmo que já havia identificado, mas que antes não lhe dava ouvidos, a me dizer:
- Pequenino, muito tem errado, todavia não lhe faltar à oportunidade de fazer a coisa certa, mas você, por sua vez, tem desprezado todas as chances de fazer o bem. Surge-lhe agora, porem, neste corpinho doente, nova oportunidade, concedida pelo querido Jesus, nosso sempre bom amigo, de você recapitular as pegadas que vem deixando no mundo. Este corpinho, que hoje lhe exige muitos cuidados, foi, na maioria das vezes, exigido por você mesmo, para que, com o invólucro danificado, possa tu valorizar a saúda dantes desprezada, observar com mais acuidade as carências infantis, que no passado você não ligava, e apaziguar o “fogo da consciência”, que hoje solicita reparação.**
“Destino desventurado?!...
Nada disso, meu irmão,
Presente mostra o passado
Bendita a reencarnação!...”
Assim, bendizemos as criancinhas debilitadas de hoje, que ontem fomos nós ou amanhã poderemos ser. Que o Divino Mestre as abençoe, possa, o quanto antes, curar-lhes o corpinho enfermiço, mas, e, sobretudo, purificar-lhes a alma, para que com espírito renovado, venha a ser exemplo, a todas as outras pessoas, de esperança e alegria, dando a certeza de que: “Depois da tempestade vem sempre a abonança”...!
“Guarda a criança contigo
Como benção do amor puro
Criança é o nosso retrato
Endereçado ao futuro.”
Lucas
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